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| (Pintura: Turning Leaves by Duy Huynh) |
Percorro tantas lonjuras em mim
que meus passos nem dão conta. Sou um avesso recortado de distâncias, algumas cerzidas,
outras rasgadas em vãos que meus braços nunca alcançam. E eu me canso de tanto
espaço sem rastro, de tanto longe aqui dentro.
Canso-me até dos precipícios e dos oceanos, e dos barcos que me levam sempre a um destino contrário. Eu nunca vejo chegada, nem uma pedra onde descansar o corpo, nem um porto onde possa ter qualquer enjoo de terra. Nenhum ninho onde possa ter algum pouso, ainda que de passagem.
Sou muito espaço por dentro, pouco chão, muito vento em horizontes recortados. E me perco tanta vez entre norte e sul que meus pés já não sabem como acompanhar meu coração. Eu também não. Sempre alço voo achando que tenho asas, talvez não as tenha, talvez as tenha roubado de um anjo qualquer que encontrei caído pelo caminho. Talvez por isso sempre me lance rumo ao chão, ou fique presa em algum vão entre o que foi e o que virá, e no silêncio que se faz entre os dois mundos. No silêncio que se faz em mim, e onde todas as vozes me falam e me calam.
Sou recheada de silêncios. E o teu talvez seja o mais ensurdecedor deles, o mais antigo, o que grita em mim com mais perigo, com o sotaque que vou sempre distinguir, mesmo entre todos os gritos. Não quero te ouvir. Não posso. Nem posso calar de novo diante de ti. Acho que não se pode renascer se morrermos duas vezes da mesma morte. Então, se eu ligar o rádio e cantar bem alto, tu te calas?
Sou muito espaço por dentro, pouco chão, muito vento em horizontes recortados. E me perco tanta vez entre norte e sul que meus pés já não sabem como acompanhar meu coração. Eu também não. Sempre alço voo achando que tenho asas, talvez não as tenha, talvez as tenha roubado de um anjo qualquer que encontrei caído pelo caminho. Talvez por isso sempre me lance rumo ao chão, ou fique presa em algum vão entre o que foi e o que virá, e no silêncio que se faz entre os dois mundos. No silêncio que se faz em mim, e onde todas as vozes me falam e me calam.
Sou recheada de silêncios. E o teu talvez seja o mais ensurdecedor deles, o mais antigo, o que grita em mim com mais perigo, com o sotaque que vou sempre distinguir, mesmo entre todos os gritos. Não quero te ouvir. Não posso. Nem posso calar de novo diante de ti. Acho que não se pode renascer se morrermos duas vezes da mesma morte. Então, se eu ligar o rádio e cantar bem alto, tu te calas?
"Que reste-t-il de nos amours?
Que reste-t-il de ces beaux jours?
Une photo, vieille photo de ma jeunesse
Que reste-t-il des billets doux,
Des mois d´avril, des rendez-vous?
Un souvenir qui me poursuit sans cesse
Bonheur fané, cheveux au vent
Baisers volés, rêves mouvants
Que reste-t-il de tout cela?
Dites-le-moi
Un petit village, un vieux clocher
Un paysage si bien caché
Et dans un nuage, le cher visage de mon passé"
Que reste-t-il de ces beaux jours?
Une photo, vieille photo de ma jeunesse
Que reste-t-il des billets doux,
Des mois d´avril, des rendez-vous?
Un souvenir qui me poursuit sans cesse
Bonheur fané, cheveux au vent
Baisers volés, rêves mouvants
Que reste-t-il de tout cela?
Dites-le-moi
Un petit village, un vieux clocher
Un paysage si bien caché
Et dans un nuage, le cher visage de mon passé"
[Chanson: Que reste-t-il de nos amours - Charles Trenet]
[Andrea de Godoy Neto]






